segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Existe Poesia?




















Adultos Vladmir Maiakóvski
(Tradução de Haroldo de Campos)

Os adultos fazem negócios.
Têm rublos nos bolsos.
Quer amor? Pois não!
Ei-lo por cem rublos!
E eu, sem casa e sem tecto,
com as mãos metidas nos bolsos rasgados,
vagava assombrado.
À noite
vestis os melhores trajes
e ides descansar sobre viúvas ou casadas.
A mim
Moscou me sufocava de abraços
com seus infinitos anéis de praças.
Nos corações, nos relógios
bate o pêndulo dos amantes.
Como se exaltam as duplas no leito do amor!
Eu, que sou a Praça da Paixão, (1)
surpreendo o pulsar selvagem
do coração das capitais.
Desabotoado, o coração quase de fora,
abria-me ao sol e aos jactos d’água.
Entrai com vossas paixões!
Galgai-me com vossos amores!
Doravante não sou mais dono de meu coração!
Nos demais - eu sei,
qualquer um o sabe -
O coração tem domicílio
no peito.
Comigo
a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -
em todas as partes palpita.
Oh! Quantas são as primaveras
em vinte anos acesas nesta fornalha!
Uma tal carga
acumulada
torna-se simplesmente insuportável.
Insuportável
não para o verso
de veras.

(1) Antiga praça de Moscou, atual Praça Púchkin.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Toquei Viola pelo Maluco




















O que passou, passou

Antigamente, se morria
1907, digamos, aquilo sim
é que era morrer.
Morria gente todo dia,
e morria com muito prazer,
já que todo mundo sabia
que o Juízo, afinal, viria,
e todo mundo ia renascer.
Morria-se praticamente de tudo.
De doença, de parto, de tosse.
E ainda se morria de amor,
como se amar morte fosse.
Pra morrer, bastava um susto,
um lenço no vento, um suspiro e pronto,
lá se ia nosso defunto
para a terra dos pés juntos.
Dia de anos, casamento, batizado,
morrer era um tipo de festa,
uma das coisas da vida,
como ser ou não ser convidado.
O escândalo era de praxe.
Mas os danos eram pequenos.
Descansou. Partiu. Deus o tenha.
Sempre alguém tinha uma frase
que deixava aquilo mais ou menos.
Tinha coisas que matavam na certa.
Pepino com leite, vento encanado,

praga de velha e amor mal curado.
Tinha coisas que têm que morrer,
tinha coisas que têm que matar.
A honra, a terra e o sangue
mandou muita gente praquele lugar.
Que mais podia um velho fazer,
nos idos de 1916,
a não ser pegar pneumonia,
e virar fotografia?
Ninguém vivia pra sempre.
Afinal, a vida é um upa.
Não deu pra ir mais além.
Quem mandou não ser devoto
de Santo Inácio de Acapulco,
Menino Jesus de Praga?
O diabo anda solto.
Aqui se faz, aqui se paga.
Almoçou e fez a barba,
tomou banho e foi no vento.
Agora, vamos ao testamento.
Hoje, a morte está difícil.
Tem recursos, tem asilos, tem remédios.
Agora, a morte tem limites.
E, em caso de necessidade,
a ciência da eternidade
inventou a criônica.
Hoje, sim, pessoal, a vida é crônica.

já me matei faz muito tempo














já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo
morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma
morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma


in Paulo Leminski.
Série Paranaenses nº 2, reunião de entrevistas e resenhas. Scientia et Labor, Curitiba, 1988, p. 7

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Juiz de fora


















“Nosso sofrimento começou com o primeiro navio que chegou ao Brasil." (Wayrotsu, povo Xavante)

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Passando em branco

















O MENINO EXPERIMENTAL

O menino experimental come as nádegas da avó e atira os ossos ao cachorro.

O menino experimental futuro inquisidor devora o livro e soletra o serrote.

O menino experimental ateia fogo ao santuário para testar a competência dos bombeiros.

O menino experimental confessa-se ateu e à-toa.

O menino experimental repele as propostas da prima de dezoito anos chamando-a de bisavó.

O menino experimental escondendo os pincéis do pintor e trancando-o no vaso sanitário, obriga-o a fundar o pop art, única saída para o impasse.

O menino experimental ensina a vamp a amar. Dorme com o radar debaixo da cama.

O menino experimental despede a televisão, “brinquedo para analfabetos, surdos, mudos, doentes, antinietzsches, padres, podres, croulants.

O menino experimental atira um granada em forma de falo na mãe de Cristóvão Colombo, sepultando as Américas.

Fragmento, Murilo Mendes.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Di Melo - Di Melo 1975

















Único disco do cara. Desconhecido, pernabucano e com parcerias nesse disco de músicos como Hermeto Pascoal. Vale a pena mesmo a título de curiosidade.


Músicas:

1 .Kilariô (Di Melo)
2. A vida em seus métodos diz calma (Di Melo)
3. Aceito tudo (Vidal França - Vithal)
4. Conformópolis (Waldir Wanderley da Fonseca)
5. Má-lida (Di Melo)
6. Sementes (Di Melo)
7. Pernalonga (Di Melo)
8. Minha estrela (Di Melo)
9. Se o mundo acabasse em mel (Di Melo)
10. Alma gêmea (Di Melo)
11. João (Maria Cristina Barrionuevo)
12 .Indecisão (Terrinha)

Download

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sacanagem














Florais de Bach,
Deus Baco ou
Bakunin
Ainda não decidi.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O sonho te acalma
















Hoje o dia chove ao seu lado
mas no ano que vem. Tudo
vai dar certo
não estará com os pés
molhados
ou mesmo nas fotos
dos que serão lembrados

você sabe não deve
perseguir o insano.
se aprofundar
num ambiente estranho
Quando vai entender
Só irá se dividir
e implantar a confusão
E quem vai se entregar?
o pasto vai estar lá
na paciência de quem
se alimenta do verde.
Hoje vai nascer
Deixar de ser sonho
queira desconhecer
E ouvir o grande estrondo
ou as luzes todas em você.

Tenha medo do seu sono
pois ele vai te acalmar.
E será o grito que deixou
de existir.
Agora mais dois tragos e
Tudo se apaga outra vez

domingo, 7 de setembro de 2008

Fórceps












Foi no desespero de uma manhã de domingo que a mãe sentiu as dores do parto e o pai acelerou o Corcel II até o hospital. A partir daí surgiu o primeiro conflito, os médicos lutavam para tirar a criança, e ela por opção esforçava-se para não fazer parte deste mundo. Foi necessário o fórceps que sem surtir efeito foi substituído pela cesárea. O pequeno iniciante na arte do sofrimento gritou, gritou, gritou como nunca haviam escutado naquela maternidade.

Este lugar foi alcançado na última sessão de regressão. Após alguns meses de terapia, consegui dar sentido a rejeição pela carne (animal), pelo mundo (sociedade), pelos humanos (indivíduos). Simplificando, desde então dei nome a misantropia que já vivenciava. A vida tomou outro sentido, ou novas sublimações surgiram. Entendi porque era tão diferente, as vezes considerado excêntrico, estranho, esquisito. Vi que meu amigo buscava uma verdade que eu não podia oferecer pois não sabia que tinha conhecimento dela. Continuo não acreditando em quase nada e vejo que esta é uma postura menos ofensiva, e a única certeza que possuo. Conforta-me saber que o filho do terapeuta faz judô as custas das minhas sessões.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Galo de Briga - Intermitências da Morte
















O coração do frango nasce programado para deixar de funcionar em sessenta dias. A sua carne é forte e suja, saborosa e cancerígena, útil como a sacola plástica do supermercado. Presta um valoroso serviço a sociedade, limpar o mundo! O humano suja, o frango anabolizado mata o desgraçado! Mas em doses homeopáticas. Um cancerzinho aqui, outro acolá e segue assim sua trilha de vingança em nome dos empenujados partidos pelo cutelo. Pois é, infelizmente a astúcia humanóide surpreende a cada dia, pra evitar o comprometedor assassinato em massa inventaram o coração com prazo de validade. O serviço sujo ficou por conta do enfraquecido coração galináceo. Mas a vingança é um prato que se come frio, opa! que se come quente.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Roquezinho Adolescente #02












Muito Longe

Acreditaram nesses caras alheios a luta
Numa conduta promiscua descompromissada
Colocando em risco gerações futuras
A memória popular vive ao esquecer
Imóveis ao tempo, inertes
Manipulados pelo falso poder
A máquina humana gananciosa de expert's
Espertos de mais para serem brasileiros
Em venderem nossa alma ser que percebamos
Pois estávamos ocupados com o divertimento
E todas as migalhas esmoladas pelos coronéis, do governo

Assim se passaram os tais 500 anos
Do tal descobrimento
Para celebrar toda ignorância que criamos

Reservas são de madeiras asiáticas
O índio e sua cultura esmagada entre a modernização
Esse regime maldito conduzido por tecnocratas
A 4° guerra mundial é chamada globalização
É a que deixara o maior número de vítimas
40 milhões já vivem hoje no Brasil
Fora do contexto simplesmente foram excluídas
A paz e a dignidade para estas pessoas está bem distante
Longe, muito longe...

Assim se passaram os tais 500 anos
Do tal descobrimento
Para celebrar toda ignorância que criamos

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo













Hoje enquanto revirava velharias em casa encontrei uma caixa com correspondências. Uma parte delas me chamou a atenção pois era de um namoro da adolescência. Daí decidi colocar aqui uma carta escrita por minha ex-adolescente logo após nosso namoro a distancia ter ido pro espaço.

“---------, o dia e o ano não importam

Olá Pablo Petro, estou escrevendo para corrigir, ou melhor, refazer sua primeira carta.

Então seguem vários pensamentos aos quais você havia dado o nome de: Alternâncias de amor e desabafos de uma noite quente.


Refazendo...


Alternâncias de um relacionamento e desabafos de uma noite triste:

A explosão

A conclusão

O show

O passeio

O desejo

O arrependimento

A admiração

A despedida

‘A explosão’

Pra começar, não poderia imaginar que ao encontrar uma pessoa tão maravilhosa (sendo algo muito difícil nesta vida) acabaria de uma forma muito, muito, mais muito mesmo, Bum!!!

‘A conclusão’

Quando alguém encontra aquilo que sempre sonhou logo percebe que o que é bom não dura pra sempre (isso é uma nova conclusão pra mim), pois logo se percebe que as pessoas que lutam por aquilo que amam são a minoria.

‘O show’

Onde o protagonista foi apenas você.
Prefiro não escrever mais nada a respeito, pois não sei o que aconteceu.
Talvez, se estivéssemos juntos essa alternância seria mais uma continuação de um show inesquecível.

‘O passeio’

Quem diria que todo aquele tesão e combinação entre eu e você de mãos dadas, o que parecia tudo o que precisávamos para esquecer de tudo, hoje não passa de um orgulho bobo de ambos, que serviu apenas para nos aproximar do destino medíocre que reservamos para nós mesmos.

‘O desejo’

Não quero acreditar que somos vítimas do destino e que a ironia nos levou ao mesmo lugar onde um dia nos desejamos, e que bem ali, o oposto aconteceu. [a relação começou na mesma localização geográfica onde acabou]

É onde surge...

‘... O arrependimento’

Onde entre os espaços do silêncio, não tivemos coragem de nos redimir e voltarmos a ser felizes.

‘A admiração’

Você sabe como encantar as pessoas, não foi a toa que me encantei por você... Já estava cansada de clones, imitações baratas que as pessoas fazem umas das outras. O excepcional apareceu. Você com seu jeito simples e único.

‘A despedida’

Bem, esta alternância fica restrita.
Pois, pra duas pessoas que juraram terem encontrado a pessoa de suas vidas, não acredito que essa palavra (despedida), aparentemente tão definitiva, faça parte da história de ambos...

Com saudades... --------- -----”

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Flores na Janela











Pode se supor que a vida ainda é bela
Que aqui há muito amor e há flores na janela
Pode se supor que a paz agora existe
E que neste lugar ninguém está mais triste

Pode se supor que há vida em outros planetas
E comunicações sempre serão feitas
Pode se supor que você bebe um trago
De vinho do Porto com José Saramago

Pode se supor que todas as pessoas
Estão com seus amigos e nada as magoa
Pode se supor que é seu dia de sorte
Você ver a um cão parecido o Thom York

Pode se supor que agora nestes dias
Iremos ser felizes! Simples utopias

A imaginação é mais importante
Que o conhecimento

A imaginação é mais importante
Que o conhecimento

domingo, 13 de julho de 2008

A peça velha










Noite fria, coração vazio e vontade de fugir. Não deu outra, sai de casa com o velho chapéu de vime na cabeça rumando pra cidade velha. Entrei no antigo cinema que agora é um teatro todo redecorado cheio de figuras que buscam singularidade.
Subi as escadas que levavam a antiga sala de projeção e fui acomodar-me nas poltronas superiores. De lá, vi o grande palco pronto pra encenar "A Perfeição Perdida" de um autor desconhecido, mas bem sacado. Os atores eram jovens e prematuros mais caiam muito bem na seqüência das cenas. Eram sujos, inocentes, mas sinceros. Percebia-se que vinham da rua. Possuíam toda a malícia dos que passaram fome e a placidez do bem alimentados. Papéis de anjos caídos são velhos e ultrapassados, mas na pele daqueles garotos retomavam vigor e impressionavam por ser cru.
A montagem como um todo era bizarra, e parecia adequada a proposta. O paraíso é realmente uma idéia defasada e a perfeição só existe nos olhos do iludidos. Revivi, alimentei o espírito e continuei caminhando.
Seis anos depois passo em frente ao velho cinema agora teatro e vejo a mesma "A Perfeição Perdida" em cartaz. Novamente subi as escadas e aproximei ao máximo da antiga poltrona.
Vi os mesmos atores com os mesmos truques sacados, os mesmos jogos simples, mas envolventes, a mesma sensualidade promiscua. Descobri que pouco basta pra um bom estado de espírito. Tomei um porre com os desgraçados no final da peça e concluímos que aquela estória pode ser repetida por quem sabe 2000 anos.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Trópico de Câncer














"Hoje estou cônscio da minha linhagem. Não tenho necessidade de consultar meu horóscopo ou minha carta genealógica. Nada sei do que está escrito nas estrelas ou em meu sangue. Sei que provenho dos fundadores mitológicos da raça. O homem que leva a garrafa aos lábios, o criminoso que ajoelha na praça do mercado, o inocente que descobre que todos os cadáveres fedem, o louco que dança com o raio na mão, o frade que ergue a saia para mijar sobre o mundo, o fanático que rebusca bibliotecas para encontrar o Verbo - todos esses estão fundidos em mim, todos esses fazem a minha confusão, meu êxtase. Se sou inumano é porque meu mundo transbordou de suas fronteiras humanas, porque ser humano parece uma coisa podre, triste, miserável, limitada pelos sentidos, restringida pelas moralidades e pelos códigos, definida pelos lugares-comuns e ismos. Eu derramo o suco da uva na minha garganta e encontro nele sabedoria, mas minha sabedoria não nasce da uva, minha embriaguez nada deve ao vinho
..." Trópico de Câncer, Henry Miller

quarta-feira, 2 de julho de 2008

temerários convictos ou verrugas com canelas











O movimento imaginativo parte sempre de um brilho de início enigmático, mas que acaba despontando dentro da cabeça vazia de sentimentos verdadeiros. Uma ida simples ao banheiro é o estímulo necessário para a avalanche de idéias desconexas, confusas e obscuras. Deitado na cama pensa nos discursos, palavras bonitas, seqüências semânticas, revezes naufragados, monossílabos tônicos mal encaixados, seqüências obtusas; tudo rodeado por um fervor criativo que transporta o sono para um momento posterior. É sensato pensar em saúde, bem estar do corpo e blá, blá, blá... é vida transbordando, é doença que acumulada mata, liquido purulento que se não escapar acaba deturpando alguma função autônoma. Parece que o coração já está avariado quem sabe o que foi?: pode ter sido o excesso de vontade, contida por porções minúsculas de moralidade que acabam asfixiando células sadias-de-funcionamento-acelerado. O corpo agora está na vertical, pensou em subir uns dois corpos acima da cabeça e virar-se na horizontal, começar a percorrer o mundo descrevendo o que sente. Quem sabe assim encontre uma noção diferente da incrustada por baixo da pele. Boiar, flutuar, ser posto num movimento sem esforço. Todo o deslocamento simplificado pela inércia.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Minha coleção de revistas













Essa história de fazer rock-cabeça às vezes dá mais trabalho do que escrever tese, proferir conferência ou defender político em CPI. Para gravar o clipe da música Last Night on Earth, de seu último CD, o grupo irlandês U2, capitaneado pelo fanhoso e enfadonho Bono Vox, colocou de pneus para o ar o trânsito da cidade americana de Kansas City. Caos instaurado, muito a propósito eis que surge o escritor maldito William Burroughs, de 83 anos, figuraça do movimento beat. No clipe, ele personifica uma força maligna que destrói a civilização condenada ao consumismo -- aquela praga engendrada pelo capitalismo que faz com que as pessoas se destituam de sua humanidade e passem a comprar toda sorte de porcaria, como os últimos discos do U2.

Fonte: Revista Veja, 4 de junho de 1997.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Notícias Históricas!














Desde que os Beatles começaram a cantar as delícias da filosofia oriental, aumentou o afluxo de jovens turistas americanos e europeus aos países da Ásia. Em seu último disco, um compacto lançado há poucos dias ("Revolution"), John, Paul, Ringo e George reforçam a sua mensagem pacifista: "Você diz que vai mudar a Constituição/ Sabe, é melhor liberar sua mente primeiro..." Os orientais, porém, não andam muito satisfeitos com isso. O Govêrno da Tailândia proibiu as companhias aéreas que servem o seu país de admitirem em seus aviões pessoas "com os cabelos do tipo Beatle ou vestimentas hippies". Explica um alto funcionário do Govêrno tailandês: "Essa gente pode influenciar mal a nossa sociedade".

Fonte: Revista Veja, 11 de setembro de 1968.

domingo, 29 de junho de 2008

Notícias Históricas


































Apresentada sempre para público adulto - as mulheres que a vêem em revistas de moda e os homens que a admiram nua em revistas masculinas -, a manequim e atriz Xuxa Meneghel, 19 anos, poderá ser apreciada agora por plátéias de todas as idades, no filme censura livre Fuscão Preto, que estréia esta semana em São Paulo. É a história de Dian, filha de um rico fazendeiro, cujo amor se divide entre dois homens e o misterioso automóvel, uma máquina humanizada que ama, briga e dispensa motorista. Um dos objetivos do filme é levar crianças ao cinema, para ver Xuxa, sempre vestida, em suas aventuras com o fuscão e os outros dois pretendentes. Ela acha a idéia formidável. "Xuxa tem bochechas e é dentucinha como uma menininha", diz a modelo sobre si própria. "É talvez por isso que as crianças adoram Xuxa, que também adora as crianças."

Fonte: Revista Veja, 20 de abril de 1983.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

E "foice" a infãncia


Dois garotos sentados no meio fio, contado carros. Era essa a rotina dos fins de tarde. Qual o número certo? Não importa, o que vale nesta cena é a possibilidade de ocupar-se do contar carros. Qual a finalidade, preocupação de dois garotos quando imersos nesta ação? Será que seus pais estão brigando, ofendendo um ao outro? Será que não possuem responsabilidades, atividades escolares ou ocupação que liberte-os desta rotina. Mas esta é a sua infância, ou melhor, esta foi a sua infância e é por ela que hoje ele briga, que assume as posições mais arriscadas para manter crianças livres de preocupações, livres de qualquer empecilho que as deixe tolhidas da sensação de sentir-se a vontade para contar carros. Entregar à vida a liturgia da infância. Mas lembro dos garotos em barracos de lona preta, com bandeiras hasteadas e com o discurso do oprimido na ponta da língua. Elas deixam de ser crianças por suas palavras de ordem? Por suas brincadeiras ‘fora de ordem’? Quando o garoto finge ser o ‘Zé Rainha’ ele não é mais criança? Com certeza o é! As vezes mais criança do que o garoto que conta carros. Pois ele tem sua infância ligada ao mundo adulto, tem seus ideais construídos com bases coletivas. Imagina o dia em que o seu povo estará liberto das garras da tirania colonialista que já superou os 508 anos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Notícias Históricas!



















O ex-Beatle Paul McCartney e sua mulher Linda Eastman, ambos 41 anos, foram detidos por posse de maconha, no dia 16 de janeiro, na ilha de Barbados. Liberado em troca de uma multa de $100, no dia seguinte o casal embarcou com os filhos de volta para Londres e, no Aeroporto de Heathrow, Linda foi detida novamente por levar maconha na bolsa.

Fonte: Revista Veja, 25 de janeiro de 1984.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Subjetividade de plástico


Nosso ano começa com uma história triste. Uma mulher de meia idade, 35 anos, descontente com com as disposições de seu corpo decide enfrentar uma cirurgia plástica para recuperar alguns atributos que outrora possuiu. Chegou a esta opinião após ponderar sobre os dois caminhos que possuia: o primeiro era ser reconhecidade pela capacidade intelectual que possuia, pelo seu empenho enquanto pessoa disposta a deixar algum vestigio sobre a terra após a sua morte, portanto que não necessitava de nenhuma cirurgia plástica. O segundo caminho era ser adimirada por atibutos físicos, mesmo que não tivesse nada a acrescentar enquanto ser humano. Nos dois casos estava ciente da posição atual que exige muitas vezes apenas uma imagem que seja convincente, independente de seu conteúdo ou significado social. Ela então, procurou um clinica especializada e ficou vislumbrada pela projeção que o médico lhe ofereceu através de um programa computacional. O único problema era que teria que vender o seu carro para pagar o valor da cirurgia que era de R$ 18,000,00. Consolava-se com a ilusão de recuperar o vig0r físico e intelectual que possuia aos 20 anos e acertou o data da sua operação. Após esta decisão enfrentou vários problemas pós operatórios e faleceu duas semanas depois da cirurgia. Será que o nosso tempo produz vítimas ou estas são escolhas conscientes que assumem os riscos de seus atos juntamente com os profissionais médicos que encontram verdade nesse tipo de procedimento?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O Homem da Cueca Verde




















-Quem é aquele homem?
-Aquele? Ah, esse é o homem da cueca verde!
Era assim em todos os locais por onde ele passava. Se fosse ao banco, lá seria reconhecido não adiantava esconder. Todos sabiam que era o homem da cueca verde. O ritual era realizado já havia um bom tempo. Quando desapegado de suas funções burocráticas, o homem rumava para sua casa e lá chegando pendurava sua cueca verde no portão. Era assim que os credores o localizavam, que as garotas seduzidas por sua maestria erótica encontravam consolo, e que os amigos solitários tinham horas de apego. Mas existe uma pergunta que ecoa para a eternidade e até hoje não se faz calar. Quem no alto de sua atitude roubou a cueca verde do homem? Sua razão se desfez, suas noites não foram mais tranqüilas, seus amigos o deixaram, suas garotas agora o desprezam. E ele sente o gosto amargo do que é a vida.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Cotidiano



....Todos os dias minha companheira acorda e faz o mesmo ritual. Puxa o cobertor me deixando de cueca, isso me deixa muito irritado e me obriga a levantar da cama. Seu hálito é impressionante mesmo após uma noite de sono e o seu beijo equilibra meu humor. Tomo meu banho, um café e ela me oferece o mesmo beijo mecânico com um gosto de proteção. No trabalho questiono o sentido da vida, sinto o peso da contrariedade envelhecendo minhas células. O almoço logo chega interditando o gosto das horas. Quando chego do trabalho ela me espera no portão, sinto sua pele, sua boca, me perco em sua imensidão. Nos deitamos e tudo o que era incerteza encontra sentido. Ela pede pra eu não me afastar. E por esta noite agüento mais um dia...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Enterrei um beatnik no meu quintal

Hoje como dia dos mortos merece uma homenagem:
Cuidado com os beatniks pois eles podem 'foder' com a sua visão de mundo. E como já estou domesticado pelo trabalho, ou melhor, fui obrigado a me domesticar para sobreviver, o estilo de vida dos beat's só traria ploblemas hoje. A não ser que eu adotasse a leitura feita dos caras no final dos 60’s e início dos 70's, com cebelos compridos, muitas drogas, e paz/ amor. Mas sei que isso hoje garante subsistência somente vendendo pulseirinha em praia....
bom, preciso de diversão e ultimamente tenho encontrado bons momentos na leitura de livros como 'Almço Nu', 'O Uivo', 'Junky', sem contar a literatura americana dos 30's: a trilogia - Trópico de Câncer, Trópico de Capricórnio e Primavera Negra. É sempre bom ver como os escritores americanos tem base pra construir com substancia belíssimas opiniões sobre os estilo americano de vida: “(...) Americanos morrem de medo de abrir mão do controle, de deixar as coisas acontecerem por si sós, sem interferência alguma. Se fosse possível, entrariam dentro dos próprios estômagos para digerir a comida e depois enfiar a merda para fora usando pás.” trecho de 'Almoço Nu' de William S. Burroughs.
Burroughs tinha uma visão muito otimista da leitura: "Acho que as pessoas nunca vão abandonar totalmente a leitura. Nada substituirá a literatura: nem o vídeo, nem o cinema. Por outro lado, a fórmula novelística está ultrapassada, e se não houver coisas interessantes nessa área, as pessoas estarão cada vez mais lendo só livros e revistas ilustradas, histórias em quadrinhos. Há coisas que você não consegue numa tela ou num filme. Já com um livro as pessoas podem sentar-se em qualquer lugar e é como se um filme estivesse passando em suas cabeças". Bom é uma pena que ele nao viveu até o momento pra acompanhar a disseminação da cultura da imagem, dos telefones com câmeras, de páginas inúteis e sem fim do hipertexto que mostram que a leitura ficou em segundo plano. Mas como tudo tem seu lado positivo, fico feliz de saber que minha próxima visita ao 'sebo' vai ser muito proveitosa. O lugar não é mais freqüentado, foi esquecido assim como os velhos decrépitos que lá estão gravados na celulose.
Hoje posso dizer que alcancei a segurança do trabalho e a estabilidade do capital. Chego a está conclusão e daí me deparo com isso,
''Segurança, a máscara amigável da transformação. Para a qual sorrimos, sem vermos o que sorri por trás dela.'' (Edwin Arlington Robinson)
Realmente hoje foi um dia difícil, e acabo de perceber que desenterraram o beat do meu quintal, pois meu cachorro está com um fêmur na boca.

William S. Burroughs (1914-1997)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Doses de Dor


Ouça o som que hoje quero lhe mostrar

Escute um pouco do que venho te contar

Depois de tantos anos achei não mais me importaria

Em como um sorriso seu transforma o meu dia

Tive séria conversa prévia comigo mesmo

Mas agora me sinto perdido com a sua atenção

Seus olhos fixados em mim

Transformam meu ser em como a tempos fui

Um fluxo de ideias invade o corpo

Assume o comando a parte incompleta

O lado escondido que sofre com a solidão

Aproveita a chance e mostra o que tem de melhor

Resgata o sonho antigo de ser um só

A dura realidade do tempo traz razão

Como lamina afiada na carne o sangue precede a dor

Os destinos agora são opostos e não se recompõem`

É só um eco lançado ao infinito sem retorno

No pouco tempo que tive perdi o controle

Com o mínimo controle que tive perdi a razão

Espero o desespero triste que fala com a solidão



sexta-feira, 20 de abril de 2007


___________________Benjamin

Uma vida que cresceu cercada por muros e por excessos dos ricos

Agora com idade avançada percebe que nunca reagiu ao seu sofrimento

Só consegue alívio encontrando fraqueza nos mais próximos

Alimentar durante uma vida inteira o ódio que agora o consome

Encontra-se no intervalo da morte

Mas na verdade este intervalo dura pouco

Volta e assume sua postura que remete a morte

Deixou a potência de vida esquecida e adotou

Uma ação que combatesse o seu medo de continuar cercado

Volta e assume sua postura que remete a morte

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Prozac















Abri os olhos e vi ao meu lado uma pilha de pessoas mortas que deixaram suas solidões impressas em celulose. Hoje percebi que devo reorganizar os livros, começar a deixar alguns autores vivos ao meu lado, alguns que respirem a atualidade. Resolvi sair e desistir da solidão que tantos dizem que faz mal. O que adiantou, só enxerguei pessoas fingindo felicidade e alegria, deve ser fingimento pois se for verdadeiro o mundo está perdido como acreditei anteriormente. O que vi nas ruas? pessoas imitando a televisão, garotas exibindo lipoaspiração, mulheres com fome, homens prendendo a respiração, crianças fingindo maturidade, velhos comprando juventude, automatos confirmando os ideais Cartesianos...
Não dá, gostaria que a medicina inventasse uns bons remédios capazes de solucionar o excesso de lucidez; não é possível que controlem a des-razão, que estabilezem o humor e não controlem o excesso de razão.
E segue a ordem do dia: desistir da procura por pessoas mortas imersas em solidão; abandonar os vícios que expandem o espírito e deixam o corpo fora da moda; iniciar uma longa identificação com os ideais televisivos (pois o mundo se apresenta como o retratado pelos teledramaturgos). O mote contemporâneo é o prozac. Se é que existe algum movimento terapêutico.