sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Notícias Históricas!



















O ex-Beatle Paul McCartney e sua mulher Linda Eastman, ambos 41 anos, foram detidos por posse de maconha, no dia 16 de janeiro, na ilha de Barbados. Liberado em troca de uma multa de $100, no dia seguinte o casal embarcou com os filhos de volta para Londres e, no Aeroporto de Heathrow, Linda foi detida novamente por levar maconha na bolsa.

Fonte: Revista Veja, 25 de janeiro de 1984.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Subjetividade de plástico


Nosso ano começa com uma história triste. Uma mulher de meia idade, 35 anos, descontente com com as disposições de seu corpo decide enfrentar uma cirurgia plástica para recuperar alguns atributos que outrora possuiu. Chegou a esta opinião após ponderar sobre os dois caminhos que possuia: o primeiro era ser reconhecidade pela capacidade intelectual que possuia, pelo seu empenho enquanto pessoa disposta a deixar algum vestigio sobre a terra após a sua morte, portanto que não necessitava de nenhuma cirurgia plástica. O segundo caminho era ser adimirada por atibutos físicos, mesmo que não tivesse nada a acrescentar enquanto ser humano. Nos dois casos estava ciente da posição atual que exige muitas vezes apenas uma imagem que seja convincente, independente de seu conteúdo ou significado social. Ela então, procurou um clinica especializada e ficou vislumbrada pela projeção que o médico lhe ofereceu através de um programa computacional. O único problema era que teria que vender o seu carro para pagar o valor da cirurgia que era de R$ 18,000,00. Consolava-se com a ilusão de recuperar o vig0r físico e intelectual que possuia aos 20 anos e acertou o data da sua operação. Após esta decisão enfrentou vários problemas pós operatórios e faleceu duas semanas depois da cirurgia. Será que o nosso tempo produz vítimas ou estas são escolhas conscientes que assumem os riscos de seus atos juntamente com os profissionais médicos que encontram verdade nesse tipo de procedimento?

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O Homem da Cueca Verde




















-Quem é aquele homem?
-Aquele? Ah, esse é o homem da cueca verde!
Era assim em todos os locais por onde ele passava. Se fosse ao banco, lá seria reconhecido não adiantava esconder. Todos sabiam que era o homem da cueca verde. O ritual era realizado já havia um bom tempo. Quando desapegado de suas funções burocráticas, o homem rumava para sua casa e lá chegando pendurava sua cueca verde no portão. Era assim que os credores o localizavam, que as garotas seduzidas por sua maestria erótica encontravam consolo, e que os amigos solitários tinham horas de apego. Mas existe uma pergunta que ecoa para a eternidade e até hoje não se faz calar. Quem no alto de sua atitude roubou a cueca verde do homem? Sua razão se desfez, suas noites não foram mais tranqüilas, seus amigos o deixaram, suas garotas agora o desprezam. E ele sente o gosto amargo do que é a vida.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Cotidiano



....Todos os dias minha companheira acorda e faz o mesmo ritual. Puxa o cobertor me deixando de cueca, isso me deixa muito irritado e me obriga a levantar da cama. Seu hálito é impressionante mesmo após uma noite de sono e o seu beijo equilibra meu humor. Tomo meu banho, um café e ela me oferece o mesmo beijo mecânico com um gosto de proteção. No trabalho questiono o sentido da vida, sinto o peso da contrariedade envelhecendo minhas células. O almoço logo chega interditando o gosto das horas. Quando chego do trabalho ela me espera no portão, sinto sua pele, sua boca, me perco em sua imensidão. Nos deitamos e tudo o que era incerteza encontra sentido. Ela pede pra eu não me afastar. E por esta noite agüento mais um dia...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Enterrei um beatnik no meu quintal

Hoje como dia dos mortos merece uma homenagem:
Cuidado com os beatniks pois eles podem 'foder' com a sua visão de mundo. E como já estou domesticado pelo trabalho, ou melhor, fui obrigado a me domesticar para sobreviver, o estilo de vida dos beat's só traria ploblemas hoje. A não ser que eu adotasse a leitura feita dos caras no final dos 60’s e início dos 70's, com cebelos compridos, muitas drogas, e paz/ amor. Mas sei que isso hoje garante subsistência somente vendendo pulseirinha em praia....
bom, preciso de diversão e ultimamente tenho encontrado bons momentos na leitura de livros como 'Almço Nu', 'O Uivo', 'Junky', sem contar a literatura americana dos 30's: a trilogia - Trópico de Câncer, Trópico de Capricórnio e Primavera Negra. É sempre bom ver como os escritores americanos tem base pra construir com substancia belíssimas opiniões sobre os estilo americano de vida: “(...) Americanos morrem de medo de abrir mão do controle, de deixar as coisas acontecerem por si sós, sem interferência alguma. Se fosse possível, entrariam dentro dos próprios estômagos para digerir a comida e depois enfiar a merda para fora usando pás.” trecho de 'Almoço Nu' de William S. Burroughs.
Burroughs tinha uma visão muito otimista da leitura: "Acho que as pessoas nunca vão abandonar totalmente a leitura. Nada substituirá a literatura: nem o vídeo, nem o cinema. Por outro lado, a fórmula novelística está ultrapassada, e se não houver coisas interessantes nessa área, as pessoas estarão cada vez mais lendo só livros e revistas ilustradas, histórias em quadrinhos. Há coisas que você não consegue numa tela ou num filme. Já com um livro as pessoas podem sentar-se em qualquer lugar e é como se um filme estivesse passando em suas cabeças". Bom é uma pena que ele nao viveu até o momento pra acompanhar a disseminação da cultura da imagem, dos telefones com câmeras, de páginas inúteis e sem fim do hipertexto que mostram que a leitura ficou em segundo plano. Mas como tudo tem seu lado positivo, fico feliz de saber que minha próxima visita ao 'sebo' vai ser muito proveitosa. O lugar não é mais freqüentado, foi esquecido assim como os velhos decrépitos que lá estão gravados na celulose.
Hoje posso dizer que alcancei a segurança do trabalho e a estabilidade do capital. Chego a está conclusão e daí me deparo com isso,
''Segurança, a máscara amigável da transformação. Para a qual sorrimos, sem vermos o que sorri por trás dela.'' (Edwin Arlington Robinson)
Realmente hoje foi um dia difícil, e acabo de perceber que desenterraram o beat do meu quintal, pois meu cachorro está com um fêmur na boca.

William S. Burroughs (1914-1997)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Doses de Dor


Ouça o som que hoje quero lhe mostrar

Escute um pouco do que venho te contar

Depois de tantos anos achei não mais me importaria

Em como um sorriso seu transforma o meu dia

Tive séria conversa prévia comigo mesmo

Mas agora me sinto perdido com a sua atenção

Seus olhos fixados em mim

Transformam meu ser em como a tempos fui

Um fluxo de ideias invade o corpo

Assume o comando a parte incompleta

O lado escondido que sofre com a solidão

Aproveita a chance e mostra o que tem de melhor

Resgata o sonho antigo de ser um só

A dura realidade do tempo traz razão

Como lamina afiada na carne o sangue precede a dor

Os destinos agora são opostos e não se recompõem`

É só um eco lançado ao infinito sem retorno

No pouco tempo que tive perdi o controle

Com o mínimo controle que tive perdi a razão

Espero o desespero triste que fala com a solidão



sexta-feira, 20 de abril de 2007


___________________Benjamin

Uma vida que cresceu cercada por muros e por excessos dos ricos

Agora com idade avançada percebe que nunca reagiu ao seu sofrimento

Só consegue alívio encontrando fraqueza nos mais próximos

Alimentar durante uma vida inteira o ódio que agora o consome

Encontra-se no intervalo da morte

Mas na verdade este intervalo dura pouco

Volta e assume sua postura que remete a morte

Deixou a potência de vida esquecida e adotou

Uma ação que combatesse o seu medo de continuar cercado

Volta e assume sua postura que remete a morte

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Prozac















Abri os olhos e vi ao meu lado uma pilha de pessoas mortas que deixaram suas solidões impressas em celulose. Hoje percebi que devo reorganizar os livros, começar a deixar alguns autores vivos ao meu lado, alguns que respirem a atualidade. Resolvi sair e desistir da solidão que tantos dizem que faz mal. O que adiantou, só enxerguei pessoas fingindo felicidade e alegria, deve ser fingimento pois se for verdadeiro o mundo está perdido como acreditei anteriormente. O que vi nas ruas? pessoas imitando a televisão, garotas exibindo lipoaspiração, mulheres com fome, homens prendendo a respiração, crianças fingindo maturidade, velhos comprando juventude, automatos confirmando os ideais Cartesianos...
Não dá, gostaria que a medicina inventasse uns bons remédios capazes de solucionar o excesso de lucidez; não é possível que controlem a des-razão, que estabilezem o humor e não controlem o excesso de razão.
E segue a ordem do dia: desistir da procura por pessoas mortas imersas em solidão; abandonar os vícios que expandem o espírito e deixam o corpo fora da moda; iniciar uma longa identificação com os ideais televisivos (pois o mundo se apresenta como o retratado pelos teledramaturgos). O mote contemporâneo é o prozac. Se é que existe algum movimento terapêutico.