sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

O Homem da Cueca Verde




















-Quem é aquele homem?
-Aquele? Ah, esse é o homem da cueca verde!
Era assim em todos os locais por onde ele passava. Se fosse ao banco, lá seria reconhecido não adiantava esconder. Todos sabiam que era o homem da cueca verde. O ritual era realizado já havia um bom tempo. Quando desapegado de suas funções burocráticas, o homem rumava para sua casa e lá chegando pendurava sua cueca verde no portão. Era assim que os credores o localizavam, que as garotas seduzidas por sua maestria erótica encontravam consolo, e que os amigos solitários tinham horas de apego. Mas existe uma pergunta que ecoa para a eternidade e até hoje não se faz calar. Quem no alto de sua atitude roubou a cueca verde do homem? Sua razão se desfez, suas noites não foram mais tranqüilas, seus amigos o deixaram, suas garotas agora o desprezam. E ele sente o gosto amargo do que é a vida.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Cotidiano



....Todos os dias minha companheira acorda e faz o mesmo ritual. Puxa o cobertor me deixando de cueca, isso me deixa muito irritado e me obriga a levantar da cama. Seu hálito é impressionante mesmo após uma noite de sono e o seu beijo equilibra meu humor. Tomo meu banho, um café e ela me oferece o mesmo beijo mecânico com um gosto de proteção. No trabalho questiono o sentido da vida, sinto o peso da contrariedade envelhecendo minhas células. O almoço logo chega interditando o gosto das horas. Quando chego do trabalho ela me espera no portão, sinto sua pele, sua boca, me perco em sua imensidão. Nos deitamos e tudo o que era incerteza encontra sentido. Ela pede pra eu não me afastar. E por esta noite agüento mais um dia...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Enterrei um beatnik no meu quintal

Hoje como dia dos mortos merece uma homenagem:
Cuidado com os beatniks pois eles podem 'foder' com a sua visão de mundo. E como já estou domesticado pelo trabalho, ou melhor, fui obrigado a me domesticar para sobreviver, o estilo de vida dos beat's só traria ploblemas hoje. A não ser que eu adotasse a leitura feita dos caras no final dos 60’s e início dos 70's, com cebelos compridos, muitas drogas, e paz/ amor. Mas sei que isso hoje garante subsistência somente vendendo pulseirinha em praia....
bom, preciso de diversão e ultimamente tenho encontrado bons momentos na leitura de livros como 'Almço Nu', 'O Uivo', 'Junky', sem contar a literatura americana dos 30's: a trilogia - Trópico de Câncer, Trópico de Capricórnio e Primavera Negra. É sempre bom ver como os escritores americanos tem base pra construir com substancia belíssimas opiniões sobre os estilo americano de vida: “(...) Americanos morrem de medo de abrir mão do controle, de deixar as coisas acontecerem por si sós, sem interferência alguma. Se fosse possível, entrariam dentro dos próprios estômagos para digerir a comida e depois enfiar a merda para fora usando pás.” trecho de 'Almoço Nu' de William S. Burroughs.
Burroughs tinha uma visão muito otimista da leitura: "Acho que as pessoas nunca vão abandonar totalmente a leitura. Nada substituirá a literatura: nem o vídeo, nem o cinema. Por outro lado, a fórmula novelística está ultrapassada, e se não houver coisas interessantes nessa área, as pessoas estarão cada vez mais lendo só livros e revistas ilustradas, histórias em quadrinhos. Há coisas que você não consegue numa tela ou num filme. Já com um livro as pessoas podem sentar-se em qualquer lugar e é como se um filme estivesse passando em suas cabeças". Bom é uma pena que ele nao viveu até o momento pra acompanhar a disseminação da cultura da imagem, dos telefones com câmeras, de páginas inúteis e sem fim do hipertexto que mostram que a leitura ficou em segundo plano. Mas como tudo tem seu lado positivo, fico feliz de saber que minha próxima visita ao 'sebo' vai ser muito proveitosa. O lugar não é mais freqüentado, foi esquecido assim como os velhos decrépitos que lá estão gravados na celulose.
Hoje posso dizer que alcancei a segurança do trabalho e a estabilidade do capital. Chego a está conclusão e daí me deparo com isso,
''Segurança, a máscara amigável da transformação. Para a qual sorrimos, sem vermos o que sorri por trás dela.'' (Edwin Arlington Robinson)
Realmente hoje foi um dia difícil, e acabo de perceber que desenterraram o beat do meu quintal, pois meu cachorro está com um fêmur na boca.

William S. Burroughs (1914-1997)

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Doses de Dor


Ouça o som que hoje quero lhe mostrar

Escute um pouco do que venho te contar

Depois de tantos anos achei não mais me importaria

Em como um sorriso seu transforma o meu dia

Tive séria conversa prévia comigo mesmo

Mas agora me sinto perdido com a sua atenção

Seus olhos fixados em mim

Transformam meu ser em como a tempos fui

Um fluxo de ideias invade o corpo

Assume o comando a parte incompleta

O lado escondido que sofre com a solidão

Aproveita a chance e mostra o que tem de melhor

Resgata o sonho antigo de ser um só

A dura realidade do tempo traz razão

Como lamina afiada na carne o sangue precede a dor

Os destinos agora são opostos e não se recompõem`

É só um eco lançado ao infinito sem retorno

No pouco tempo que tive perdi o controle

Com o mínimo controle que tive perdi a razão

Espero o desespero triste que fala com a solidão



sexta-feira, 20 de abril de 2007


___________________Benjamin

Uma vida que cresceu cercada por muros e por excessos dos ricos

Agora com idade avançada percebe que nunca reagiu ao seu sofrimento

Só consegue alívio encontrando fraqueza nos mais próximos

Alimentar durante uma vida inteira o ódio que agora o consome

Encontra-se no intervalo da morte

Mas na verdade este intervalo dura pouco

Volta e assume sua postura que remete a morte

Deixou a potência de vida esquecida e adotou

Uma ação que combatesse o seu medo de continuar cercado

Volta e assume sua postura que remete a morte

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Prozac















Abri os olhos e vi ao meu lado uma pilha de pessoas mortas que deixaram suas solidões impressas em celulose. Hoje percebi que devo reorganizar os livros, começar a deixar alguns autores vivos ao meu lado, alguns que respirem a atualidade. Resolvi sair e desistir da solidão que tantos dizem que faz mal. O que adiantou, só enxerguei pessoas fingindo felicidade e alegria, deve ser fingimento pois se for verdadeiro o mundo está perdido como acreditei anteriormente. O que vi nas ruas? pessoas imitando a televisão, garotas exibindo lipoaspiração, mulheres com fome, homens prendendo a respiração, crianças fingindo maturidade, velhos comprando juventude, automatos confirmando os ideais Cartesianos...
Não dá, gostaria que a medicina inventasse uns bons remédios capazes de solucionar o excesso de lucidez; não é possível que controlem a des-razão, que estabilezem o humor e não controlem o excesso de razão.
E segue a ordem do dia: desistir da procura por pessoas mortas imersas em solidão; abandonar os vícios que expandem o espírito e deixam o corpo fora da moda; iniciar uma longa identificação com os ideais televisivos (pois o mundo se apresenta como o retratado pelos teledramaturgos). O mote contemporâneo é o prozac. Se é que existe algum movimento terapêutico.