
O MENINO EXPERIMENTAL
O menino experimental come as nádegas da avó e atira os ossos ao cachorro.
O menino experimental futuro inquisidor devora o livro e soletra o serrote.
O menino experimental ateia fogo ao santuário para testar a competência dos bombeiros.
O menino experimental confessa-se ateu e à-toa.
O menino experimental repele as propostas da prima de dezoito anos chamando-a de bisavó.
O menino experimental escondendo os pincéis do pintor e trancando-o no vaso sanitário, obriga-o a fundar o pop art, única saída para o impasse.
O menino experimental ensina a vamp a amar. Dorme com o radar debaixo da cama.
O menino experimental despede a televisão, “brinquedo para analfabetos, surdos, mudos, doentes, antinietzsches, padres, podres, croulants.
O menino experimental atira um granada em forma de falo na mãe de Cristóvão Colombo, sepultando as Américas.
Fragmento, Murilo Mendes.